Eu Sou é Eu Mesma

de Poliana Araújo Guerra

Nova Era/MG

A jornalista Poliana Guerra, de 49 anos, vai contar a história que mudou a sua vida. Depois de um acidente de carro, desenganada pelos médicos e com muitas sequelas físicas, ela acorda sem memória e começa um longo processo de recuperação de si mesma. Amante de Guimarães Rosa, ela conduz a história entre frases do autor que repercutem na sua trajetória de vida, suas anotações pessoais e um quebra-cabeças de imagens.

  • Cinema conta história de trauma e superação

    O Curta Vitória a Minas IV encerrou no domingo (03/05) a gravação da primeira das sete histórias contadas por moradores de cidades mineiras e capixabas do entorno da Estrada de Ferro. Esta primeira história veio de Nova Era (MG) e volta 17 anos para narrar o quanto viver é inesperado…

    Leia mais

  • Dia 1 das gravações de “Eu Sou é Eu Mesma”, de Poliana Araújo Guerra, em Nova Era/MG

    Começamos as gravações em Nova Era/MG. O processo de recuperação de si mesma após um grave acidente será representado no filme com recursos de câmera e áudio. Para isso, o fotógrafo Rafael Mazza está usando lentes desencaixadas da câmera, com muito desfoque e cristais que causam distorções e reflexos.

    A trilha também ajudará a transmitir o que a personagem viveu, misturando sons em off, diálogos, narrações e até alguns textos de Guimarães Rosa, escolhido pela diretora, que vão costurando a história. A falta de sincronia entre som e o uso da câmera subjetiva no filme vai reproduzir o descompasso mental e nos ajudará a enxergar pelos olhos da diretora. 

  • A influência de Guimarães Rosa

    Na primeira reunião com a equipe, Poliana explica para o diretor de fotografia, Rafael Mazza, de onde vem o título de seu filme, porque ela se identifica tanto com os textos do autor e como ela imagina que algumas frases serão inseridas na narrativa do filme.

  • Cenas tensas no hospital de Nova Era

    O segundo dia em Nova Era/MG, teve set montado dentro do hospital para algumas das cenas mais importantes da história. Na parte da tarde, a recepção fez as vezes de aeroporto, quando os pais da protagonista recebem a notícia do acidente. Também foram gravadas as cenas nos ambientes de fisioterapia. Poliana convidou Melissa Lobo, a fisioterapeuta que cuidou dela depois do acidente, para atuar no filme como ela mesma. Também interpretam a si mesmos, os pais da diretora.

    À noite a equipe voltou ao hospital para as cenas da UTI e o trabalho se estendeu madrugada adentro. O som dos equipamentos deu um ar ainda  mais dramático às cenas, já carregadas de emoção. A notícia do acidente, o médico informando a gravidade da situação, o momento em que ela acorda, sem lembrar de nada do que aconteceu, e um momento emocionante com a mãe

  • Fazenda da Vargem – Dia 3

    A Fazenda da Vargem foi a locação das cenas mais ternas da história. Poliana conta que por muito tempo não mediu esforços para trazer de volta a memória perdida no acidente. Hoje, porém, ela prefere focar em criar novas memórias com seu filho, Lourenço. E foi esta simbologia que ela quis trazer com as cenas dela com o filho ainda pequeno, interpretados por seu sobrinho, Henrique Xaia Guerra, e a psicóloga e amiga, Juliana Lage. Antes de começar a gravar, houve aquele momento de expectativa entre os dois atores, que não se conheciam, para que a cena passasse a intimidade de mãe e filho. Afinal, o menino de apenas 3 anos, ainda não conhecia sua “mãe” e é sempre um desafio contracenar com crianças tão pequenas. Mas sapeca que é, logo os dois estavam brincando e sorrindo. Deu tudo certo!

    No decorrer da sequência, Poliana e Lourenço, hoje com 10 anos, substituem os personagens da ficção, trazendo a cena para os dias atuais. O enorme jardim da fazenda, o casarão histórico, as montanhas ao fundo e o dia ensolarado foram o cenário e o clima ideais.

  • Casamento no Sítio Macuquinho

    Na parte da tarde, todo o elenco foi reunido para uma grande festa de casamento. No dia seguinte ao casamento do primo, Poliana se lembrou de um momento que aconteceu durante a festa. Foi a primeira vez que ela demonstrou guardar um fato cotidiano na memória desde o acidente, três meses antes. Ela perguntou à mãe onde estava o papel que o noivo havia lhe dado durante a cerimônia: um texto de Guimarães Rosa, autor preferido de Poliana que entremeia toda a narrativa do filme com seus textos.

    A locação foi o mesmo local onde o fato aconteceu, o Sítio Macuquinho, que pertence à família. A festa do casamento se transformou também na festa de encerramento das gravações.

  • Com a palavra, o elenco

    Amigos e familiares, incluindo seu pai, que interpretou a si mesmo, falam como foi a experiência de participar de um filme.