Os autores e autoras das histórias selecionadas pelo Curta Vitória a Minas IV estão prontos para o set de filmagem. Depois das aulas teóricas e práticas de cinema e da pré-produção, chegou a hora de gravar as histórias vindas de cidades do entorno da Estrada de Ferro Vitória a Minas. Um diretor de fotografia, um técnico de som, uma produtora e um assistente de câmera se somarão à equipe local formada por moradores das comunidades para a realização das obras audiovisuais.
Ao todo serão gravados sete curtas-metragens. Um em cada cidade com história selecionada. O Curta Vitória a Minas é patrocinado pela Vale, por meio da Lei Rouanet (Lei Federal de Incentivo à Cultura), com a realização do Instituto Marlin Azul, Ministério da Cultura/Governo Federal. O objetivo do projeto é possibilitar aos moradores das cidades que se desenvolveram ao longo da Estrada de Ferro Vitória a Minas a oportunidade de contar histórias e transformar em filme, registrando as memórias, os costumes, os hábitos, as lendas e as peculiaridades destas localidades, contribuindo para o fortalecimento territorial e comunitário.
Primeira parada: Nova Era
A primeira gravação começou no dia 30 de abril e prosseguirá até 03 de maio, em Nova Era, Minas Gerais. A cidade teve histórias selecionadas nas quatro edições do projeto. Desta vez, quem está transformando uma história em filme é a administradora e jornalista Poliana Araújo Guerra. “Eu Sou é Eu Mesma” resgata fragmentos da memória da nova erense, revela sua jornada de luta, coragem e esperança para reencontrar a si mesma após sobreviver a um grave acidente de carro que a deixou entre a vida e a morte.
“Estou sem fôlego, de tanta excitação! Extasiada com o processo em si e com o processo em mim! Com o processo em si, pela dimensão deste projeto lindo de fazer do cinema arte popular, misturando profissionais e amadores em sua trama e democratizando o acesso a esta arte imensa! Com o processo em mim, porque reviver e reconstruir estas peças apagadas de meu quebra-cabeças de vida tem sido nada menos que catártico. Reconstruir estes momentos tão graves feitos superação está me deixando com a emoção à flor da pele, full time. Já me fez chorar várias vezes, mas um choro gostoso, de quem passou por cima e está fazendo de tudo história! Estou mais encantada que fiquei desde o curso audiovisual, em Vitória (se isto é possível), com os profissionais me acompanhando nesta construção linda e coletiva! Estou sem ar!”, relata Poliana.
Pé na estrada
Acompanhe o cronograma das filmagens: “Eu Sou é Eu Mesma”, de Poliana Araújo Guerra, de Nova Era/MG (30/04 a 03/05); “Pedro Além do Alcântara”, de Miriam Mercedes Firmo, de João Monlevade/MG (06 a 09/05); “No Meio de Tudo e do Nada”, de Maria da Conceição Costa, de Belo Oriente/MG (12 a 15/05); “Noite de Natal”, de Lucia Elena Nunes Belizário, de Conselheiro Pena/MG (18 a 21/05); “Julyta e o Zeppelin”, de Geremias Pignaton, de Ibiraçu/ES (24 a 27/05); “Inventário da Infância”, de Helder Guastti da Silva, de João Neiva/ES (29/05 a 01/06); e “Águas de 1979”, de Tânia Reis, de Aimorés/MG (04 a 07/06).
Uma das histórias capixabas desta edição é “Inventário da Infância”, do professor Helder Guastti da Silva, de João Neiva, no Espírito Santo. O autor aproveitou a pré-produção para ressignificar o roteiro e planejar as melhores maneiras de abordar visualmente o desejo de construir uma memória sensível das infâncias atravessadas pelo território do Bairro de Fátima, aproximando corpo, espaço e tempo.
“Esses meses de pré-produção foram intensos, de muita emoção e de participação comunitária. A ansiedade para as gravações está bem elevada! Em nosso filme, buscaremos trazer cenas que não esperam dramatizações, mas sim a verdade poética do cotidiano, revelando como crianças e idosos compartilham gestos, lembranças e afetos das brincadeiras. Nosso maior desejo, para além de realizar um belo registro audiovisual, é mostrar que a cultura do morro existe, persiste e resiste, sempre com muitas cores e afetos entrelaçados!”, destaca Helder.
Após a montagem e finalização, as obras serão exibidas numa telona montada em ruas e praças das cidades em sessões abertas e gratuitas para as comunidades, em datas que ainda serão divulgadas. Para conhecer as obras produzidas na primeira e segunda edições do projeto, acesse o site curtavitoriaaminas.com.br.
Texto: Simony Leite Siqueira
Foto: Mariana de Lima

