A hora é de encontrar o filme dentro da história

Quando alguém decide transformar uma história em filme, uma das inúmeras questões a se resolver é “qual filme quero fazer a partir do que tenho para contar”. Os autores e autoras selecionados pelo Curta Vitória a Minas IV iniciaram o processo de gestação de seus curtas-metragens nesta semana na sede do Instituto Marlin Azul, em Jardim da Penha (Vitória-ES). Para responder às dúvidas, inquietações e desbravar os caminhos para a realização de cada produção, a turma é estimulada pela equipe de professores da área do cinema e da TV a um mergulho dentro da essência das histórias.

Neste primeiro processo de criação, a orientação é colocar as ideias no papel. “Às vezes, as pessoas têm o filme ou a história na cabeça, mas encontram dificuldade com o exercício da escrita. As pessoas deste grupo têm facilidade com a escrita. Esta habilidade ajuda a discutir as ideias, a levantar as questões do filme. É importantíssimo exercitar a escrita porque, quando se escreve, você tira de dentro uma ideia que está vagando, a concretiza no papel e consegue ver se ela realmente vale, qual é o peso dela na história. Quando se coloca as ideias no papel é possível perceber as fragilidades. O roteiro formata a escrita para a linguagem audiovisual”, explica Lulu Corrêa, professora de roteiro e direção para ficção.

Segunda a cineasta, este primeiro momento do curso direcionado à organização das ideias em forma de roteiro deve estimular o autor (a) a se perguntar qual matiz terá o filme, o que esta história provoca nele (a) e o que deve despertar no espectador. “Estas questões ajudam a definir a rota a seguir para se dirigir o filme. Às vezes, a pessoa pensa em fazer um filme e acaba pegando um outro caminho e, depois, percebe que poderia ter feito de outro jeito. Então, precisa se perguntar: qual o tema central, quem é o protagonista, qual é o ponto de vista que quero dar pra esta história. É a hora em que vamos elaborar. Isso é muito bom porque é o momento em que pode tudo, pode experimentar tudo e fazer novas escolhas”, detalha Lulu.

Para a professora de roteiro e direção para documentário, Beth Formaggini, o grande desafio desta imersão audiovisual de duas semanas é transformar uma história escrita para a linguagem audiovisual. “A gente sabe que o desejo deles de fazer é muito grande e que estas histórias também estão dentro deles. É um desafio, principalmente, porque queremos que eles façam trabalhos muito autorais, que não seja a repetição do que eles veem na televisão. O desafio é não fazer um trabalho que seja uma repetição de uma reportagem de TV, mas que seja um trabalho autoral, de arte. É buscar as ferramentas pra que eles possam criar filmes que tragam uma linguagem nova para o cinema, um filme de arte, um filme pessoal. Isto que é o mais difícil”, avalia Beth.   

Texto: Simony Leite Siqueira

Foto: Mariana de Lima