
Miriam reconstrói a história de seu tio Pedrinho, irmão de seu pai, através do depoimento de familiares, ex-alunos e amigos. O caçula da família, nascido no quilombo Caxambu, chegou ainda jovem a João Monlevade/MG e, enquanto trabalhava de vigia, durante uma ronda noturna, ouviu o ensaio de um coral e se apaixonou pela música sacra. A partir dali, convocou irmãos, primos, pais e avós para cantar em grupo. Assim nasceu o coral Família Alcântara, hoje com mais de 60 anos de trajetória. Como sugere o título, para além do Maestro Pedro Alcântara, Míriam quer mostrar a figura do Tio Pedrinho através do olhar daqueles que estavam próximos a ele, a Família Alcântara.
Cena do roteiro gravada como exercício, durante as oficinas, com Cintya Ferreira, professora de Cinema Manual, interpretando o menino Pedrinho quando ouve o canto do coral das holandesas.
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Pedro Alcântara vive!
Um dia o menino apaixonado pelos sons e cantos do mundo sonhou unir a família pela música. Aos 12 anos de idade juntou os pais, irmãos e primos para formar um coral no território sagrado habitado pelos descendentes de seus ancestrais vindos da África. A Família Alcântara Coral cresceu, se…
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Iníco das gravações em João Monlevade/MG
As primeiras cenas do curta “Pedro Além do Alcântara” foram gravadas no Parque Areião, incluindo o plano final do filme. O documentário de Míriam Firmo mistura entrevistas com algumas reconstruções encenadas de momentos marcantes da trajetória do Maestro Pedro Alcântara. Nestas cenas, Anderson Gabriel, também maestro, interpreta o protagonista. À frente de dois corais na cidade, dizem que ele se parece muito com tio Pedrinho, não só fisicamente, mas também no jeito de reger.
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Almoço na Casa de Dona Mercedes
Pela manhã estivemos na casa de Dona Mercedes, mãe da Míriam e cunhada de Tio Pedrinho. Ela falou sobre o irmão e sua relação com ele. Quando saiu do quilombo Caxambu, Pedrinho veio morar na casa de Dona Mercedes. No roteiro, ela cozinha uma feijoada que depois virou almoço da equipe. Igualzinho como acontecia (e ainda acontece), tradicionalmente, na família. Quem chega se junta à mesa, sempre com comida farta e muita conversa.
A locação da noite foi na ARPAS, Associação Regional de Promoção e Ação Social, mesmo local onde, anos atrás, tio Pedrinho, atraído pelo canto do coral, entra na sala e a maestrina, missionária holandesa, convida o rapaz para participar.
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As irmãs de Tio Pedrinho
Voltamos ao parque Areão, pela manhã, para a longa entrevista da diretora Míriam. Ela falou da relação dela com o tio Pedrinho, com o coral e contou porque se emociona todas as vezes que fala do tio. É o seu olhar que dá o tom da narrativa sobre esta figura tão importante na sua vida.
Na parte da tarde, a conversa foi na casa de Tia Anita, com Tia Ivone e Tia Maria, as três irmãs mais velhas de Tio Pedrinho. Com fotos de família em cima da mesa, elas relembraram histórias desde o tempo em que moravam no Caxambu, um lugar de cultura quilombola quando esse nome ainda nem existia. “A gente vivia num lugar onde só tinha preto!”, contam. Falaram também sobre como tio Pedrinho, depois de se apaixonar pelo coral das holandesas, acordava as irmãs no meio da noite para cantar. A família sempre foi muito musical, com forte base no congado. Tio Pedrinho trouxe um repertório mais clássico, com músicas sacras mas sempre com influência dessa origem.

