Afeto e conexão marcam abertura do CVM II

A doce e tranquila Santa Cruz, no litoral de Aracruz, no Espírito Santo, abraçou os autores das histórias selecionadas do Curta Vitória a Minas II. Desde domingo (04/09) até o dia 18 de setembro, a turma descobrirá de um jeito compartilhado e colaborativo os caminhos da criação cinematográfica.

A primeira aula transbordou afeto e conexão entre os autores, professores e equipe. Vindos de cidades capixabas e mineiras do entorno da Estrada de Ferro Vitória a Minas, os selecionados se apresentaram, contaram como surgiram as histórias, quais motivações, anseios e expectativas diante do desafio que enfrentarão para fazer um filme de curta-metragem.

A segunda edição selecionou moradores vindos de Ibiraçu, João Neiva, Baixo Guandu e Colatina, no Espírito Santo, e de Aimorés, Coronel Fabriciano, Ipatinga, Naque e Nova Era, em Minas Gerais. As histórias trazem inspirações como as memórias da infância, os laços familiares, a poesia do rio e da estrada de ferro, as lendas, as guardiãs dos saberes, a proteção das águas e das matas e um olhar para a maternidade, dentre outras temáticas.

Por meio de aulas teóricas e práticas, eles estudarão noções básicas de roteiro, direção, fotografia, som, produção, direção de arte e mobilização comunitária.

Conexão

Um dos selecionados do concurso é o biólogo Luan Ériclis Damázio da Silva, morador de João Neiva. O primeiro da família a fazer uma graduação, o educador ambiental transformará em filme a história “O T-Rex e a Pedra Lascada”, um relato ficcional inspirado nas mulheres griôs da sua ancestralidade.

Empolgado com a oportunidade de estudar as técnicas audiovisuais e de compartilhar com outras pessoas esta experiência coletiva, Luan conta como foi o primeiro dia desta aventura. “Eu percebo cada diretor deste como um vagão de trem. Cada um vem com sua bagagem e com sua trajetória muito diferente uma da outra mas, ao mesmo tempo, com histórias, sentimentos e vivências compartilhados de alguma forma. Por isso, estamos conectados. Nesse sentido, a gente se vê um na história do outro”, declara Luan.

Riqueza

Documentarista, pesquisadora e produtora audiovisual, Beth Formaggini, uma das professoras da equipe, vibrou com a riqueza e a profundidade dos relatos. “Às vezes, você tem uma boa história mas não sabe contar. Além de terem histórias boas e tocantes, estes autores trazem esta capacidade de se autorrepresentar, de criar uma versão atualizada daquilo que foi o passado, dando novos sentidos e envolvendo quem ouve. Se eles sabem narrar, vão saber criar uma linguagem audiovisual para o que contaram”, avalia a cineasta.

Para Beth, o desafio para composição de um curta é aquele enfrentado em qualquer outro processo de criação de uma obra de arte. “O filme não é conteúdo. O filme é forma como qualquer obra de arte. O desafio é conseguir, a partir deste conteúdo, que é bom, e que já tem uma forma de contar muito rica, traduzir a história em linguagem audiovisual, utilizando conceitos e ideias. Sair do conteúdo para a ideia é o pulo do gato. É isso que estamos fazendo aqui, ajudando cada autor a achar o seu filme”, explica a professora.

Valorização

Quem acompanhou a abertura da oficina audiovisual foi a Analista de Sustentabilidade da Vale, Viviane Fontes. “O Curta Vitória a Minas nasceu do desejo de desenvolver um projeto que pudesse promover o acesso e a interiorização da cultura com o envolvimento da comunidade. A primeira edição lançada em 2014, e que culminou com a exibição das obras, em 2015, mobilizou as pessoas e resgatou a memória coletiva das cidades. É muito bacana como as histórias e todo o processo de preparação e realização dos filmes conseguem transformar vidas. É isso que encanta neste projeto”, celebra Viviane.

O Curta Vitória a Minas II é patrocinado pelo Instituto Cultural Vale, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, e conta com a realização do Instituto Marlin Azul, Secretaria Especial de Cultura/Ministério do Turismo/Governo Federal.

Texto: Simony Leite Siqueira

Fotos: Gustavo Louzada

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