Inventário da Infância

de Helder Guastti da Silva

João Neiva/ES

Através de depoimentos e do registro de brincadeiras antigas e atuais, promovendo um encontro entre diferentes gerações no brincar, Helder traça um retrato do espírito e do modo de viver do bairro conhecido como Caixa d’Água, em João Neiva/ES.

Resenha

  • Brincar revoluciona!

    Ainda pequena, antes de aprender a falar, a criança brinca. É quase o seu primeiro ato autônomo, simples e imaginativo. Como um rio caudaloso, esta vontade criadora deságua, percorre as pedras, irriga a terra, tornando vivo tudo o que toca. É energia que move, pulsa, aprende, ensina, compartilha, transforma, não…

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Diário de bordo das gravações

  • Dia 1 – Inventário da Infância

    Depois de reunir o elenco no espaço leitura, seguimos para o antigo cafezal para gravar a cena 14, com as crianças brincando no campo e soltando pipa. À noite, as crianças fizeram a brincadeira da palha de aço incandescente, brincadeira que consiste em botar fogo num pedaço de bombril amarrado a uma corda e girar. O efeito é impressionante!

    Como o nome diz, o filme do Helder vai fazer um inventário das várias infâncias, diferentes entre si não só para cada um de nós mas também em cada etapa da vida, uma vez que cada um de nós guarda em si uma criança.

  • Dia 2 – Inventário da Infância

    A subida da escadaria que dá acesso ao bairro popularmente conhecido por Caixa D’água, em João Neiva/ES, é a cena de abertura do filme. Uma mulher de mais idade (Rogéria, mãe do diretor) sobe a escada com duas crianças (Sarah e Vitor) e conversam simbolizando as memórias e a relação intergeracional.

    Na parte da tarde, a locação foi o espaço de leitura Confabulado, criado por Helder e sua mãe, Rogéria, em 2017. Lá foram feitas duas cenas. Dentro do espaço Guilherme Lyrio fez uma roda de leitura com as crianças, que participaram ativamente fazendo interferências, ilustrando como a construção coletiva permeia a vida no bairro.

    Do lado de fora, na frente do muro, a cena em que duas crianças correm uma em direção à outra carregando bandeiras com os dizeres poéticos: “Somos feitos do verbo que não cala” e “Somos memória que insiste”. 

  • Dia 3 – Inventário da Infância

    Helder quer contar como o brincar está contido no cotidiano do bairro da Caixa D’água. A poética da vida simples permeada pelos encontros e a troca que acontece entre as muitas “tias” com as crianças nas esquinas, ruas, praças e becos é o fio condutor desta história. Tanto que entre as locações, que são também os pontos de encontros do dia a dia, estão a esquina Tia Lilene e o beco da Tia Neuza.

    E é na esquina da tia Lilene e da tia Tânia, vizinhas do Helder, onde jovens e adultos se reúnem na rua para dançar, jogar bingo e conversar que nós fomos fazer estas cenas. As duas tias também gravaram depoimento juntas sobre suas infâncias e a vida no bairro.

    À tarde, um jogo de futebol de salão entre dois times do bairro reuniu na quadra uma grande quantidade de gente. A torcida estava animada e as crianças impressionadas com as câmeras, os microfones e, claro, com a claquete!

  • Dia 4 – Inventário da Infância

    No último dia em João Neiva, Rogéria, mãe do Helder, fez o seu depoimento no espaço Confabulando. Foi muito estimulante ver o engajamento dos moradores e moradoras da Caixa D’água nas gravações. Nosso diretor de fotografia, Rafael Mazza, entrou no clima e trouxe para a história uma câmera brincante que entrou na brincadeira como mais um personagem.