Águas de 1979

de Tânia Reis

Aimorés/MG

Tânia Reis

A professora Tânia Reis conta uma história que ficou conhecida em todo Brasil através do olhar de uma criança. Ela própria, em 1979. Naquele ano, depois de 35 dias consecutivos de chuvas, várias cidades de Minas Gerais e Espírito Santo foram inundadas pelas águas do Rio Doce. De férias com a mãe e os irmãos em Belo Horizonte, a família se viu impedida de voltar pra casa.  Sem comunicação, assistiram pela TV a cidade inundada e as dificuldades que seu pai, amigos, parentes e vizinhos enfrentavam. 

Resenha

  • Filme conta histórias da enchente de 1979

    O ano de 1979 marcou milhares de pessoas no Espírito Santo e em Minas Gerais. Depois de chuvas intensas e contínuas, diversas cidades construídas às margens do Rio Doce foram inundadas. As enchentes desabrigaram famílias, destruíram casas, estradas, pontes, muros e interromperam o funcionamento de rodovias e da Estrada de…

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Diário de bordo das gravações

  • Dia 1 – Águas de 1979

    Depois da reunião inicial da equipe seguimos para as margens do Rio Doce, onde foi gravada a última cena do curta: um pescador jogando sua rede no rio, hoje calmo. Esse pescador era o Daniel, que também deu seu depoimento sobre os dias da enchente. Na parte da tarde fomos para a praça central, local que ficou totalmente alagado. Lá foram gravados os depoimentos de moradores que falaram sobre suas lembranças do abrigo, da cozinha coletiva que atendia aos desabrigados e outras histórias.

    À noite Tânia entrevistou Rosângela Iglesias e seu irmão, Hércules (que interpreta o pai da Tânia nas cenas ficcionadas). Essa conversa teve um tom diferente. Os dois eram crianças na época e, para eles, as lembranças passam pela diversão e aventura com helicópteros sobrevoando a cidade, notícias na televisão e histórias inusitadas como no dia em que receberam em casa dois jabutis e uma aranha, resgatados das áreas alagadas. Os dois, ainda crianças, amaram os novos “bichinhos de estimação”.

    Rosangela participou da primeira edição do Curta Vitória a Minas e dirigiu o filme “Estranha Criatura”, que vocô pode assistir clicando aqui.

  • Dia 2 – Águas de 1979

    A casa de uma amiga da Tânia é a locação de dois momentos diferentes da trama. Primeiro, casa onde a família morava em Aimorés e, depois, a que ficam hospedados em Belo Horizonte. A ambientação de diferentes cômodos faz esta distinção na história. Hoje foram feitas as cenas do cotidiano da família e os preparativos da viagem, antes das chuvas e, na varanda, o pai, já sozinho com o cachorro depois da partida da família, ouvindo as primeiras notícias das chuvas. Já em Belo Horizonte, as crianças brincando e com saudades de casa.

    Quem dava as notícias pelo rádio, que mais tarde viria a ser a única forma de comunicação na cidade, era o, então, jovem radialista José Diniz de Carvalho. Seus informes sobre a condição das águas, antes mesmo da defesa civil, foram importantes para muitas pessoas que puderam se planejar e se proteger. Hoje com 85 anos, J.Diniz, como é conhecido, gravou seu depoimento na mesma rádio em que trabalhava, em 1979.

  • Dia 3 – Águas de 1979

    Cenas interagindo com o trem  na estação têm o desafio de serem gravadas durante o curto período em que ele (o trem de verdade) fica parado na estação. O elenco tivemos, na foto, da esquerda para direita, Miguel e Théo, como irmãos da Tânia, Sheila, a mãe, Hércules, o pai, e as meninas Alice, como Tânia, e Laura, a irmã. Além das cenas de ficção da família se despedindo do pai e embarcando para Belo Horizonte, hoje, na estação de Aimorés, Tânia, seu pai, João, sua mãe, Ester, e sua irmã, Geane, gravaram juntos seu depoimento sobre os acontecimentos e lembranças do período das enchentes.

  • Dia 4 – Águas de 1979

    O pescador Daniel, do primeiro dia, João e Jonas (pai e tio da Tânia) são amigos de longa data que compartilharam muitos momentos de ajuda aos necessitados durante o período de alagamento. Eles levavam mantimentos e transportavam pessoas em suas canoas. Muitos, que moravam nas áreas mais altas, receberam hóspedes, outros tiveram que sair de suas casas ou mudaram de cidade. Na entrevista na praça acabou se transformando em uma grande reunião de família Reis.