Uma Noite de Natal

de Lucia Elena Nunes Belizário

Conselheiro Pena/MG

Lucia Elena escreveu uma história que aconteceu com ela e a irmã, numa noite de Natal, em Conselheiro Pena/MG. Em visita aos tios na cidade, lá pelos anos 60, ao passar pela praça tentando chegar à igreja para assistir à Missa do Galo, as meninas têm estranhas visões. Chegando em casa, a família ri e faz pouco caso das garotas que, ainda assustadas, resolvem nunca mais tocar no assunto. Anos mais tarde, descobrem que não foram as únicas. O nome original da história selecionada no concurso era “Perdidos no Jardim”.

Resenha

  • CVM contará história guardada por 60 anos

    As cidades do interior contam muitos causos populares. Histórias engraçadas, tristes ou assustadoras, transmitidas por meio da tradição oral, de geração em geração, sobre coisas ocorridas ou imaginárias, ou uma mistura do real com o inventado. Mas esta história carregada de mistérios selecionada pelo Curta Vitória a Minas IV para…

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Diário de bordo das gravações

  • Dia 1 – cenas noturnas na praça de Conselheiro Pena/MG

    No primeiro dia em Conselheiro Pena/MG, Lucia contou para a equipe como foi a experiência que ela viveu com a irmã e o que ela planejou para o filme. Todos no clima, o grupo saiu para visitar algumas locações. Para as estranhas visões  que as meninas têm na praça, buscamos imagens de árvores distorcidas, flores exóticas que chamam atenção pela beleza ou estranheza. Visitamos também algumas igrejas e a casa onde será montada a ceia de natal da família da Lucia. Trechos mais preservados da cidade servirão de cenário para a história que se passa nos anos 60.

    Por volta das 18h, fomos para a praça central fazer a cena principal do filme, quando as irmãs, voltando da igreja, passam pelo Quelemente, figura enigmática e bastante conhecida da cidade. A cidade está cheia e as luzes e carros ajudaram na composição das visões que, justamente pelo movimento, eram estranhas àquela época, quando o lugar era muito menos desenvolvido. No Museu da cidade encontramos uma foto antiga do local tirada pelo Capachildo, antigo fotógrafo da cidade.

    Quem interpreta o Quelemente é Elder Correa. Lara Fernanda, sobrinha da diretora faz o papel de Silva , a irmã mais velha, e Amanda Ferreyra interpreta a própria Lucia. Um grupo de meninos que andava de bicicleta por ali fez uma participação mais que especial. Apesar de reticentes no início, ficaram animados em participar de um filme. Valeu garotos, nos vemos na estreia!

  • Dia 2 – Missa do Galo

    A Igreja Nossa Senhora da Penha do Norte, ornamentada com enfeites de natal cedidos pelo Vitinho, da prefeitura, foi a locação da cena da Missa do Galo. O coordenador da igreja, Ricardo, viabilizou toda a encenação da missa: das indumentárias do padre e dos coroinhas aos objetos de cena como o incenso, no turíbulo e as escrituras em latim, além da própria igreja. E ainda foi um consultor, orientando todas as etapas de uma missa do galo de verdade. Até a mãe dele participou da cena cantando uma ladainha. A figuração ficou por conta de moradores e jovens de um grupo de teatro local, que também interpretaram o padre e os coroinhas. O mesmo grupo trocou de roupa e fez uma pequena aglomeração na porta da igreja, já que a cena pedia uma missa lotada, com pessoas do lado de fora.

  • Dia 3 – A ceia de Natal

    A família da Lucia se reuniu para uma inusitada noite de natal que, de tão genuína e vibrante, nem parecia um set de filmagem. Foi como o Natal de verdade! Crianças brincando, adultos conversando e jogando, muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Rafael Mazza, nosso diretor de fotografia, fez um plano sequência entre todos esses acontecimentos que, com o empenho e a colaboração total de todo o elenco, deu super certo. Uma plano sequência com tanta gente assim, é sempre um desafio.

    Zezinho, irmão da Lucia, fez o papel do Tio Joaquim, dono da casa no filme. Toda a ambientação, os objetos, móveis, fotos de família… Já estava tudo lá. Com a própria família interpretando uma geração anterior, o clima foi de homenagem.

  • Dia 4 – Os relatos de quem passou pela praça nos anos 60

    O último dia foi reservado para a gravação dos depoimentos de pessoas que tiveram experiências semelhantes às das meninas Lucia e Silva naquela praça. Não são poucos os que relatam terem passado por situações estranhas, ou que ouviram falar delas. Alguns se perdiam no jardim, outros quando saíam dele. Uns tinham visões, outros ouviam coisas. Relatos diferentes porém muito comuns de coisas estranhas relacionadas com o lugar. Cada um tem uma explicação para isso: uns dizem que era um cipó, outros juram que era o perfume de uma flor. O que se sabe é que havia um viveiro com animais de diversas espécies e muita vegetação. O local era um ponto conhecido de visitação na cidade.

    Por fim, Lucia e o irmão Zezinho também fizeram um longo relato sobre a vida que levavam na área rural e como eram as idas da família à casa dos tios na cidade.