{"id":2274,"date":"2025-12-05T20:25:54","date_gmt":"2025-12-05T20:25:54","guid":{"rendered":"https:\/\/curtavitoriaaminas.com.br\/iv\/?p=2274"},"modified":"2025-12-05T20:34:11","modified_gmt":"2025-12-05T20:34:11","slug":"a-dimensao-emocional-do-som-no-cinema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/curtavitoriaaminas.com.br\/iv\/a-dimensao-emocional-do-som-no-cinema\/","title":{"rendered":"A dimens\u00e3o emocional do som no cinema"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma pessoa caminha na multid\u00e3o. Ela se sente sozinha e deslocada. No cinema, um dos jeitos de transferir o sentimento desta cena para o espectador seria retirar todas as vozes e ru\u00eddos do ambiente at\u00e9 que se ou\u00e7a apenas a pulsa\u00e7\u00e3o ou a pr\u00f3pria respira\u00e7\u00e3o do personagem. Este \u00e9 um dos exemplos de como o som no audiovisual pode canalizar a emo\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria. Durante a imers\u00e3o audiovisual do Curta Vit\u00f3ria a Minas IV, os autores e autoras come\u00e7aram a reconstruir seus roteiros dentro da dimens\u00e3o sonora.<\/p>\n\n\n\n<p>O som desperta emo\u00e7\u00f5es, d\u00e1 ritmo e cria sensa\u00e7\u00f5es. Di\u00e1logos, ru\u00eddos, m\u00fasica, efeitos sonoros e at\u00e9 o sil\u00eancio fazem parte da trilha do filme. Existem in\u00fameras possibilidades de usos e combina\u00e7\u00f5es destes elementos para contar uma hist\u00f3ria na tela. \u201cComo o som \u00e9 for\u00e7a f\u00edsica que encosta no espectador, \u00e9 uma vibra\u00e7\u00e3o que sai da caixa de som, atravessa a sala de cinema e toca quem est\u00e1 assistindo, ele \u00e9 uma maneira do filme ressoar, vibrar no corpo, tornar aud\u00edvel algum sentimento que o personagem pode estar sentindo, permitindo ao espectador vivenci\u00e1-los na pele\u201d, destaca Guile Martins, convidado pelo projeto para conduzir os participantes nestes estudos e experimenta\u00e7\u00f5es sonoras.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O sil\u00eancio \u00e9 um recurso narrativo da composi\u00e7\u00e3o audiovisual. \u201cQuando falamos de som tamb\u00e9m temos que destacar os sil\u00eancios do filme, quando, de repente, tudo se esvazia e \u00e9 justamente a remo\u00e7\u00e3o dos sons que prende o espectador na tela: a aus\u00eancia de som ou pequenos sons bem sutis. N\u00e3o precisamos pensar s\u00f3 no excesso de barulhos, mas, \u00e0s vezes, pelo contr\u00e1rio, na escassez de som, que pode permitir ao espectador se conectar ainda mais com a imagem\u201d, exemplifica o professor.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O processo de cria\u00e7\u00e3o do som f\u00edlmico come\u00e7a na elabora\u00e7\u00e3o do roteiro, passando pelo planejamento da produ\u00e7\u00e3o, chegando \u00e0s filmagens, \u00e0 edi\u00e7\u00e3o at\u00e9 a mixagem final da obra. Guile orienta o realizador a aprender a ouvir. \u201cE ouvir como o microfone ouve para pensar quais sons ajudam e quais sons v\u00e3o atrapalhar a narrativa audiovisual. \u00c9 tentar privilegiar os sons importantes para o que se quer relatar, sejam as falas, os passos, a respira\u00e7\u00e3o de um personagem, e fazer ao m\u00e1ximo pra barrar ou minimizar os sons indesejados. Um cuidado \u00e9 chegar numa loca\u00e7\u00e3o e ouvir com o fone de ouvido pra come\u00e7ar a prever os problemas sonoros\u201d, orienta.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Assim como a imagem se divide em planos, o som tamb\u00e9m precisa de decupagem. O realizador deve se atentar ao repert\u00f3rio de sons dentro e fora do ambiente do set. Isso significa coletar sons n\u00e3o somente durante a grava\u00e7\u00e3o da c\u00e2mera, mas tamb\u00e9m sons fora de campo, que n\u00e3o pertencem ao plano, que podem ajudar a contar a hist\u00f3ria. \u201cSe estou fazendo um filme dentro de uma f\u00e1brica, por exemplo, vou pensar em gravar o som destas m\u00e1quinas, gravar de perto, de longe. Esta \u00e9 a decupagem de som. Se os sons das m\u00e1quinas s\u00e3o essenciais pra minha hist\u00f3ria, vou gravar. Podemos pensar em uma paleta de sons, assim como a dire\u00e7\u00e3o de arte tem sua paleta de cores, um conjunto de sons importantes para o filme. Alguns podem n\u00e3o ser utilizados depois, mas, outros podem ajudar na montagem. Por isso, \u00e9 muito legal tentarmos gravar isso durante o set para irmos para a montagem com este material como uma ferramenta criativa\u201d, destaca Guile.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A quarta edi\u00e7\u00e3o re\u00fane hist\u00f3rias vindas de Ibira\u00e7u e Jo\u00e3o Neiva, no Esp\u00edrito Santo, e de Aimor\u00e9s, Conselheiro Pena, Belo Oriente, Nova Era e Jo\u00e3o Monlevade, em Minas Gerais. Os autores e autoras est\u00e3o estudando a linguagem e as t\u00e9cnicas audiovisuais desde 23 de novembro e continuam at\u00e9 07 de dezembro. \u201cApesar de nunca terem feito filmes, eles est\u00e3o cheios de hist\u00f3rias. S\u00e3o viv\u00eancias muito pessoais. O desafio \u00e9 encontrar os caminhos para transp\u00f4-las pra o meio audiovisual. S\u00f3 precisa entender como a linguagem audiovisual pode servir a esta hist\u00f3ria, como esta hist\u00f3ria tem que mudar para virar filme\u201d, conclui o professor.<\/p>\n\n\n\n<p>Texto: Simony Leite Siqueira<\/p>\n\n\n\n<p>Fotos: Mariana de Lima<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pessoa caminha na multid\u00e3o. Ela se sente sozinha e deslocada. No cinema, um dos jeitos de transferir o sentimento desta cena para o espectador seria retirar todas as vozes e ru\u00eddos do ambiente at\u00e9 que se ou\u00e7a apenas a pulsa\u00e7\u00e3o ou a pr\u00f3pria respira\u00e7\u00e3o do personagem. 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